sábado, 4 de setembro de 2010

Visual Merchandising deve ser feito por quem entende e não por quem acha que sabe.

Por ser o cartão de visitas da loja, que irá definir a primeira impressão do consumidor, diferenciando-a entre tantas outras lojas ao seu redor, o trabalho de gestão de vitrines tornou-se necessidade básica no varejo de moda. É aqui que surge o conceito de Visual Merchandising (VM), atividade que promove a venda de mercadorias, especialmente por sua apresentação no ponto de venda (PDV).

No portal Profissão Moda encontrei este depopimento de uma das profissionais da área, que eu conheci e admiro, Patrícia Rodrigues, proprietária da Vitrine & Cia, pioneira em Visual Merchandising no Brasil, fundada há 25 anos e dona de cases como Kopenhagen, Samsung, Renner e Louis Vuitton.

"O Visual Merchandising é uma somatória de multidisciplinas que usam a estética para compor a imagem da empresa no PDV, com objetivo de gerar vendas, fluxo e manter uma identidade. Estas disciplinas atuam no comportamento do consumidor, na arquitetura, na cenografia e design, na comunicação, na circulação, na distribuição, no produto, entre outras.


Deve ser um método integrado entre todos os setores: compras, marketing, produção, financeiro e logística, sempre posicionado em sinergia com a visão estratégica da empresa. Paradoxalmente, a compra é o início e final do processo, onde sua função de maestria tem no VM um grande aliado. A integração de toda informação, mapeamento de loja, processo criativo, recursos viáveis, tomam forma para ação no ponto de venda.


O que no Brasil precisa ser desmistificado é que o Visual Merchandisingnão é uma alternativa. É uma necessidade, uma realidade, um compromisso. Existem diversas formas de realizar esta gestão, desde que se tenha procedimentos, organização, documentação e visibilidade: em sua célula deve existir uma equipe, uma estrutura, recursos que geram procedimentos e um sistema centralizador de inteligência que trabalhe a estética interna e externa de uma empresa.


Os aspectos que devem ser levados em consideração na hora de montar uma vitrine atrativa são definidos pelo que é estrategicamente melhor pra empresa. O que deve ser destacado varia de empresa para empresa. Não existem regras definitivas sobre vitrina. Uma das premissas básicas é ter criatividade, bom gosto e acabamento. Harmonia: o bom gosto está na sensibilidade de proporção, de iluminação, espaço.


No geral pode se pecar em uma vitrina pelo seu abandono. A falta de iluminação, de higiene e de bom acabamento, além do excesso de produtos, são casos clássicos. Outra situação é se manter a mesma ambientação por muito tempo (ex: acabado o dia das mães deve se tirar a vitrina de dia das mães o quanto antes). Tudo isto denota abandono.


Uma vitrine acentua grupos, traduz tendências de mercado e da moda numa linguagem tridimensional. É através dela que as mulheres vêem a afirmação de uma tendência que já viu na TV, num desfile ou numa revista e está determinada a seguir.


A tendência absoluta não existe, assim como não existem regras de cores, por mais que se digam que existe. Tudo muda de acordo com as estações. A cor está muito ligada à proposta criativa. Já conseguimos transformar o rosa numa excelente vitrine para a marca de jóias Guilherme Duque. Na proposta, a cor coube e exerceu a função esperada. Para representar a história da marca, neste caso, a vitrine resgatou o artesanal, com inspiração na rainha Maria Antonieta e referência principal no castelo de Versailles. O universo épico foi resgatado pelos delicados florais, nuances vintage e decupagem de vestidos de um livro francês infantil. Neste caso, a cor rosa representou o que precisávamos.


Para se tornar um profissional vitrinista, no quesito informação, existe muito material, livros e outras fontes para serem exploradas sobre o tema. Na questão da formação é onde está o problema, estamos “zerados” pela ausência de legado, no qual se registra o know-how do profissional de Visual Merchandising. Não há motivação para desenvolvimento de profissionais da área, assim como temos poucos cursos, e não existe plano de carreira oferecido pelas empresas."

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