quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Varejo deve fechar 2010 com vendas acima da expectativa

Contrariando a impressão que tive, visitando o comércio varejista nesta temporada, o IDV - Instituto Para Desenvolvimento do Varejo afirma que "o mês do Natal deve crescer 9,7% em vendas em relação ao mesmo período do ano passado".

O comércio brasileiro continua otimista com as vendas de fim de ano. É o que demonstra o IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas), pesquisa realizada mensalmente com os associados do IDV sobre o volume de vendas destes varejistas e as expectativas para os próximos três meses.

Para dezembro, principal período de vendas do setor, o varejo espera crescer 9,7% se comparado com igual período do ano passado. Para os meses de janeiro e fevereiro são esperados aumentos reais de vendas de 9,4% e 11% respectivamente. Em novembro, o crescimento registrado em termos reais foi de 8,1% em relação ao mesmo mês de 2009. Os meses de outubro e novembro de 2010 registraram duas das três maiores taxas de crescimento mensal em todo o ano.

O segmento de bens semi-duráveis apresenta as menores taxas de crescimento esperadas: 7,1% em dezembro, 6,3% em janeiro e 6,2% em fevereiro.

Diz o IDV que "As vendas de bens não-duráveis, mais essenciais e de menor valor, têm sido beneficiadas pelo aquecimento do mercado de trabalho. A taxa de desemprego registrada em outubro foi de 6,1%, a menor taxa mensal já verificada pelo IBGE desde 2002. Essa movimentação tem gerado ganhos reais aos trabalhadores, o que resulta em seguidos ganhos de renda acima da inflação. A variação positiva da renda, somada à maior absorção de mão de obra do mercado de trabalho, culminou nas maiores taxas de crescimento de massa salarial (conjunto de salários recebidos) pela economia. O crescimento da renda impacta diretamente no aumento e melhoria da cesta de consumo da população, que passa a ter acesso a produtos em maior quantidade e qualidade".

Criado em outubro de 2007, o IAV-IDV é um índice que consolida a evolução das vendas efetivamente realizadas pelos associados do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo), com o intuito de projetar expectativas para os próximos meses, e assim, servir de base de informação para a tomada de decisão dos executivos do varejo.

Para se chegar aos números apresentados pelo IAV-IDV, as empresas associadas reportam seus próprios resultados e suas expectativas sobre vendas no futuro. Em seguida, estas respostas são ponderadas de acordo com o respectivo porte de cada empresa, para que se alcance indicadores como o volume de vendas e o faturamento nominal.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natal 2010 Lojas Avenida

Lojas Avenida é um dos maiores anunciantes na região Norte/Centro-Oeste, sediado na região e com 60 lojas.

A campanha de Natal 2010 lança o conceito que será abordado em 2011: "Bem Perto da Gente".

O novo conceito objetiva fixar a ideia que a Avenida, por ser local, conhece o gosto e o poder aquisitivo do povo da região e prepara suas coleções para atendê-los com mais qualidade.

O conceito completa o sentido do slogan adotado em 2009: "Tudo AV Com A Sua Vida".




segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Allure Lingerie - Kitten Collection

A Allure Lingerie está sediada em Toronto-Ontario-Canada e há 15 anos vem manufaturando alta qualidade em sexies criações em couro e vinil. O sucesso incentivou-os a expandir sua linha de produtos além da lingerie em couro e vinil, para uma linha de brocados e também para o vestuário feminino em couro e vinil que permanecem fiéis a proposta de oferecer algo verdadeiramente original.
Eu me encantei com a maciez do couro e com o excelente acabamento das peças.
Até recentemente, os produtos estavam disponíveis somente para seletos varejistas. Com o lançamento da loja on-line, os entusiastas podem agora requisitar seus produtos diretamente no site: http://www.allurelingerie.com/
Veja algumas fotos do catálogo da nova coleção "Kitten", com as modelos Elaine Alden e Dylan Fitzpatrick:









Atriz do filme de jeans das Lojas Avenida é eleita a Maximodel2010 pela Maxim.

A atriz Bruna Alvin, que estrelou meu filme de jeans para as Lojas Avenida, foi eleita a Maximodel 2010 pela revista Maxim. Bruna está na capa da Maxim de dezembro/2010 e em matéria especial da revista.
Veja a matéria da Maxim aqui: http://maximbrasil.uol.com.br/sexo-jogos-mulher/24/artigo192123-1.asp
Veja o filme jeans para as Lojas Avenida aqui: http://www.youtube.com/user/WhamWaldirCosta#p/u/10/llBesJt7c-c
As fotos para a Maxim, por LOUISE CHIN E IG ARONOVICH












quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O direito do consumidor direito.

O Código de Defesa do Consumidor deveria ser mais respeitado pelo próprio consumidor, exigindo seus direitos, assim, em contínua ação conjunta, as empresas que não o respeitam se veriam pressionadas a rever seus conceitos.


Foi publicada ontem sentença condenatória de ação que movi contra o conhecido cartão de crédito American Express.


A ação foi ajuizada pela Dra. Vanessa Correia Pereira (OAB 195912/SP), especialista em Defesa do Consumidor.


Segue parte da publicação do TJ-SP, proferindo a sentença:


"Processo 0007219-85.2010.8.26.0011 (011.10.007219-5) - Procedimento do Juizado Especial Cível - Indenização por Dano Moral - Waldir Gomes da Costa - American Express do Brasil Tempo Ltda - Por estas razões, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE esta ação que WALDIR GOMES DA COSTA ajuizou contra TEMPO SERVIÇOS LTDA e DETERMINO à empresa requerida que providencie, em 10 (dez) dias, a reativação dos cartões de crédito em nome do autor e a reativação do Seguro Cash Protection, sob pena de multa diária de R$ 200,00. DETERMINO à ré que providencie no mesmo prazo acima a baixa dos débitos em nome do autor, pendentes até esta data, e que se abstenha de negativa-los ou protestá-los, sob pena de pagamento da mesma multa diária acima mencionada. Ainda, DETERMINO à ré que providencie a emissão dos novos cartões de crédito para o autor e a emissão de novas senhas, encaminhando-as para a residência do autor, além de providenciar a confirmação documental, para o autor, da reativação do seguro Cash Protection e de suas cláusulas contratuais. DETERMINO à ré, no mesmo prazo de dez dias acima, providencie a reativação dos pontos do programa Membership Rewards, registrando-os em favor do autor e vinculando-os aos cartões de crédito que deverão ser reativados. Caso a ré descumpra esta ordem judicial, pagará multa diária de R$ 100,00. Por fim, CONDENO a ré a pagar ao autor indenização por danos morais. O valor deverá ser corrigido monetariamente desde o ajuizamento da ação conforme Tabela Prática do TJSP e acrescido de juros de mora de 1% ao mês desde a citação, na forma dos artigos 405 e 406 do Código Civil de 2002, bem como do artigo 219 do Código de Processo Civil. Sem custas ou honorários advocatícios, na forma do art. 55 da lei 9099/95. O devedor, se nesta sentença foi condenado, fica advertido, na forma do art. 52, inc. III, da lei 9.099/95, de que deverá cumprir a sentença imediatamente após o seu trânsito em julgado (ou seja, quando não puder mais recorrer), sob pena de pagamento da multa de 10% (dez por cento) do art. 475-J do Código de Processo Civil. Caso o devedor tenha sido condenado a fazer ou deixar de fazer algo, poderá pagar a multa diária fixada se não cumprir imediatamente a obrigação".

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ele criou a maior empresa do mundo, com vendas anuais de 350 Bil/Us$

"Eu sou o homem que vai a um restaurante, senta-se à mesa e pacientemente espera, enquanto o garçom faz tudo, menos o meu pedido.
 
Eu sou o homem que vai a uma loja e espera calado, enquanto os vendedores terminam suas conversas particulares.
 
Eu sou o homem que entra num posto de gasolina e nunca toca a buzina, mas espera pacientemente que o empregado termine a leitura do seu jornal.
 
Eu sou o homem que, quando entra num estabelecimento comercial, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.
 
Eu sou o homem que entra num banco e aguarda tranqüilamente que as recepcionistas e os caixas terminem de conversar com seus amigos, e espera.
 
Eu sou o homem que explica sua desesperada e imediata necessidade de uma peça, mas não reclama pacientemente enquanto os funcionários trocam idéias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.
 
Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas.
 
Engana-se.
 
Sabe quem eu sou?
 
EU SOU O CLIENTE QUE NUNCA MAIS VOLTA!

Divirto-me vendo milhões sendo gastos todos os anos em anúncios de toda ordem, para levar-me de novo à sua firma.
 
Quando fui lá, pela primeira vez, tudo o que deviam ter feito era apenas a pequena gentileza, tão barata, de me enviar um pouco mais de CORTESIA".
 
"CLIENTES PODEM DEMITIR TODOS DE UMA EMPRESA, DO ALTO EXECUTIVO PARA BAIXO, SIMPLESMENTE GASTANDO SEU DINHEIRO EM ALGUM OUTRO LUGAR."

Discurso de Sam Walton, fundador do WAL MART, fazendo a abertura de um programa de treinamento para seus funcionários.



(WAL MART É A MAIOR REDE DE VAREJO DO MUNDO)

"A paciência é amarga, mas seu fruto é doce"
Jean Jacques Rousseau

Nossas lojas, nossa gente.

Em minha última visita ao meu cliente Lojas Avenida, em sua sede em Cuiabá, me foi colocada uma questão que só não me surpreendeu mais porque já estou me acostumando à imbecilidade e à falta de preparo profissional e de informação de uma grande massa de "profissionais" que ocupam cargos de até certa magnitude. Me foi solicitado criar um conjunto de peças com o propósito de dar uma noção da amplitude e importância do negócio das Lojas Avenida e sua participação no mercado nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil.

O foco da campanha são os administradores e empreendedores de Shopping Centers.

É sabido que as chamadas "Lojas Âncoras" recebem incentivos para se instalar nos novos empreendimentos. O que a Avenida não contava é que, após 30 anos de existência com gráfico crescente e mais de 60 lojas somente no Norte e Centro-Oeste (acho que somadas as lojas locais das 3 principais concorrentes não alcançam este número) ainda haveria dúvidas sobre sua magnitude e preferência popular nestas regiões.

Como pode um sujeito que ocupa um cargo executivo à frente de grandes administradores de Shopping Centers, que, em sua maioria, encontram-se sediados em São Paulo, desconhecer a participação de mercado e a presença na mídia de um grupo forte e popular como as Lojas Avenida? Certamente ele não desconhece o Mixto, time de futebol Cuiabano, nem o ASA de Arapiraca, time de futebol da cidade no sertão de Alagoas. Será que já ouviu falar das lojas Seller, que somam número de lojas superior ao maior concorrente, somente no interior do Estado de São Paulo? Ah, acho que sim, pois, sua logo está estampada na camisa do Guarani, time de futebol de Campinas.

A questão a ser respondida é:
O que faz um empresário optar por iniciar uma rede de lojas de varejo para atuar num mercado regional e enfrentar uma concorrência composta por renomadas e grandiosas outras redes que atuam no mesmo segmento e, a despeito, espalham-se não regionalmente e sim nacionalmente e, até mesmo, internacionalmente?

O parco, o chucro, certamente responderá: ganhar dinheiro.
Tão chucra e tão parca essa visão, não capaz de enxergar que ganhar dinheiro é consequência de uma atitude planejada e perseverante, cheia de meandros, técnicas e ousadia para preencher um nicho de mercado carente e promissor. Essa sim é a atitude empreendedora.

Um país com a extensão geográfica do Brasil é plural em seus costumes e cultura, pois, cada região tem uma característica específica de colonização e datas que se deu essa colonização. Pensar que a C&A ou a Renner estão focadas no Norte e Centro-Oeste é engano, porque é impossível você atuar no grande varejo multifocalizado. Não é viável, principalmente pelo aspecto logístico do negócio. Eles abrem suas lojas nessas vizinhanças pela mesma razão que faz os países procurarem expansão territorial: liderança às custas de presença estratégica. Mas, ao contrário das grandes Nações, não exercem administração regionalizada, coerente com cultura e costumes locais. E é justamente isso que diferencia a Avenida e os varejistas locais.

No caso das Lojas Avenida, especificamente, foi com essa visão que o fundador iniciou e tocou o seu negócio e é com a parca visão que alguns executivos que administram Shopping Centers enxergam o potencial e o tamanho do negócio das Lojas Avenida.

O que, exatamente, Ailton Caseli enxergou, há 30 anos, que o levou a iniciar os negócios de suas lojas?
Enxergou um mercado em franca expansão: o Centro-Oeste e Norte do Brasil. E como tudo que está se expandindo, carente de atenção voltada especialmente à tipicidade da região, aos seus hábitos, aos seus costumes, ao seu clima, à sua gente.
Com a visão do empreendedor, enxergou e foi obstinado ao alcançar uma empresa com o propósito de oferecer produtos com a qualidade que sua gente aprendera a exigir, praticando o comércio de forma honesta e com o propósito de servir ao consumidor.

Hoje, as Lojas Avenida formam uma grande rede de lojas, dentro dos padrões internacionais de lojas de seu segmento e são encaradas pelos seus concorrentes de grande porte, com a mesma seriedade que encaram as redes que atuam de norte a sul do país.

A Avenida atua em todo o Centro-Oeste e Norte do Brasil por opção estratégica; por este ser um mercado promissor em franco desenvolvimento e expansão, ao contrário dos saturados mercados do Sul e Sudeste. Atuar e expandir-se neste mercado significa enxergar longe e cumprir o propósito de levar a estas praças o desenvolvimento social, a geração de empregos, enxergando um futuro de desenvolvimento que contemple o Brasil de Norte a Sul e de Leste a Oeste.

A opção de levar o melhor, ao melhor preço, para perto da sua gente.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ééééé... a C&A!

A C&A inaugurou hoje a sua primeira Flagship no Brasil, a loja C&A do Shopping Iguatemi em São Paulo tem espaços exclusivos para a venda de produtos assinados por designers. Um espaço permanente SPFW que vai ser no conceito “loja dentro de loja”, com novidades de moda e design.
A loja terá consultores de moda e o uniforme dos vendedores é assinado pelo estilista Reinaldo Lourenço, além de ambientes especializados em acessórios, jeans, um de lingerie bem reservado com um mini-bar. E para as crianças vai ter o espaço C&A Kids, todo interativo.


Fonte: C&A
Imagens: Reprodução

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Osklen na Riachuelo.


A Riachuelo apresentará, hoje, em São Paulo, sua coleção de baixo custo, assinada pelo estilista Oskar Metsavaht, dono da grife carioca Osklen. Muita gente do meio se surpreendeu com a parceria entre uma rede de moda popular e um ícone das passarelas. A rigor, porém, isso não é exatamente uma novidade, embora seja pouco usual nos dias de hoje na Riachuelo. "Essas parcerias fazem parte da filosofia de empresa de democratizar a moda", diz Flavio Rocha. A coleção de Oskar conta com 100 peças de roupas e acessórios masculinos e femininos, com preços a partir de R$ 29,90. "Esse conflito entre o que é moda para a classe alta e baixa está desatualizado", diz Rocha. "Prova disso é que foi o próprio Oskar quem nos procurou para fazermos negócio."
Expansão. A parceria com Oskar é apenas uma das iniciativas da Riachuelo para avançar em um setor aquecido e cada vez mais competitivo. O plano de expansão da Riachuelo, segundo ele, é investir R$ 1,7 bilhão até 2013 para dobrar sua área de vendas, de 240 mil metros quadrados para 480 mil metros quadrados no período, ampliando a rede, das atuais 110 para 190 lojas , nos próximos três anos.
A expansão deve abrir 8 mil postos de trabalho, aumentando para 22 mil o contingente de empregados. "É a expansão mais agressiva da história da empresa", afirma Rocha. Fundada pelo empresário Nevaldo Rocha, pai do atual presidente, o Grupo Guararapes faturou R$ 3,9 bilhões no ano passado. Além da Riachuelo e da confecção que leva o seu nome, o grupo é dono, ainda, de um shopping center, o Midway Mall, em Natal, a capital do Rio Grande do Norte.
Fonte: O Estado de São Paulo

sábado, 9 de outubro de 2010

Porque foi criado o Sebastian.



Quando a Avanti Propaganda foi estruturada, como house-agency da C&A, em meados de 1984 e eu fui trabalhar lá, a C&A ainda tinha um pequeno número de lojas, era um pequeno anunciante e era uma marca muito pouco conhecida no Brasil. O slogan da marca era "A passarela da moda" e seu ícone de ofertas, de roupas que agregavam qualidade, atualidade e preço justo era um cachorrinho com uma lupa e um bonézinho de Sherlock Holmes, batizado no Brasil de "Farejadog", uma tradução livre e absolutamente sem sentido, de seu original holandês "Sniffdog", que eles acreditavam que traduzia o conceito de farejar boas oportunidades de compra. Eles, os quais me refiro, os holandeses da C&A, pois, aqui, ninguém na C&A entendia que, nem slogan, nem o ícone eram adequados a uma empresa que objetivava a liderança absoluta em seu segmento a curtíssimo prazo.

Desde meu primeiro dia na Avanti, me foi passada a missão de criar um novo slogan e um novo ícone promocional. O slogan logo foi encontrado: "Você e a moda", mas, de pronto avisado pelo vice-presidente de marketing que seria adotado só porque qualquer coisa era melhor do que "A passarela da moda" e que eu deveria continuar em busca do slogan que traduzisse a proposta das lojas, a atuação da empresa.

Muitas cabeçadas eu dei, até que numa manhã, no auditório do Palais des Festivals, em Cannes, assistindo à exibição dos filmes que concorriam no festival de publicidade, vi um filme do Whisky JB, que terminava com o close de um aperto de mãos de dois homens e a frase: "I'm glad to meet you!". Olhei para o Ralph, sentado ao meu lado e disse: taí, é o nosso slogan, "Prazer em Conhecer C&A".

Mas nada de ícone promocional ainda e a cobrança diária, que pesava na avaliação anual que a empresa fazia de mim e subtraía alguns dólares de meu prêmio por desempenho. Meu superior direto, o Ralph, e o superior direto dele, o vice-presidente de marketing, compactuavam comigo a dificuldade em criar um personagem que viria a ser, no futuro, desvendada com a criação, performance e significância do Sebastian. Isso aliviava um pouco a cobrança.

Em 1989, após estar consagrada a eleição de Fernando Collor de Mello à Presidência da República, as fontes da C&A já preconizavam as medidas econômicas que o novo Governo imporia e já tomou providências no sentido de mobilizar os executivos para criar e conduzir tarefas para enfrentar o ano vindouro e a falta de erário em circulação.

O recado para nós da Avanti foi: "A verba para o próximo ano será reduzida à metade e espera-se performance em dobro. A postura deverá ser hard-selling. Temos que garantir que o pouco dinheiro em circulação no país seja gasto em compras nas nossas lojas e não nas lojas concorrentes. Temos que nos antecipar à concorrência!"

O desafio para criar o AbuseUse estava lançado. Nunca tão explícito e tão claro. Tínhamos que lotar a TV com filmes da C&A, para atrair o consumidor com um argumento contundente e uma imagem de poder, honestidade e simpatia, que os fizessem ir às nossas lojas antes de ir às lojas concorrentes. Nessa época já tínhamos mais de 100 lojas espalhadas nos principais centros comerciais do Brasil. E deveríamos fazer isso com a metade do dinheiro que estávamos acostumados a ter ao nosso dispor.

Apesar da postura recessiva, a C&A não negou a minha ida e do Ralph aos workshops no exterior e ao Festival de Publicidade de Cannes, naquele ano, e foi durante o festival, inspirado pelas informações que absorvia, que surgiu a idéia, o conceito e a formatação da campanha "AbuseUse C&A", que resultou na criação do tão solicitado ícone, o personagem interpretado pelo Sebastian por 20 anos.

A primeira pergunta do Ralph, quando expus a ele a idéia, ainda em Cannes, foi: "Como você pretende viabilizar a produção disso tudo, para o ano todo, com a verba reduzida que contamos?" E minha resposta: "Filmando tudo em apenas 5 diárias seguidas, de uma vez, no começo do ano e pondo no ar gradativamente, ao longo do ano, como se fosse uma série levada ao ar em capítulos".

A segunda pergunta: "Como você vai conseguir criar o personagem, com o carisma que ele deverá ter e garantir que ele não seja brega, apesar de ser vendedor e transmita o conceito de inovação e modernidade que é a marca da C&A?" A resposta: "Contratando o José Possi Neto para dirigir os filmes. Possi é um diretor de teatro, não tem o vício da direção publicitária, o que garante a linguagem inovadora. Possi é também um coreógrafo, com currículo voltado aos espetáculos musicais, apresentados ao vivo. Reúne as características ideais para ser o parceiro perfeito para completar e realizar a idéia", até então, embrionária na minha cabeça.

A nossa criatividade é o produto da somatória de informação, inteligência e vontade de inovar. A estrutura do conceito e da concepção da campanha "AbuseUse C&A" não foi diferente. Foi a somatória de elementos de referência que resultaram no formato e resultado alcançado.

Características mais explícitas, mais aparentes dessas referências se destacaram, como a identificação com cenas do filme The Blues Brothers, com o espectáculo que o Possi levava aos palcos naquele momento, Emoções Baratas, mas há uma dezena de outras referências que nortearam a concepção da campanha e seus filmes e que não são tão aparentes.


Originalmente, o personagem interpretado pelo Sebastian, foi concebido por mim como uma mulher negra, super-fashion, com look andróide como a da protagonista do filme Blade Runner, de Ridley Scott, mixada à personagem que Grace Jones interpretou em 007-A View to a Kill. Também em minha concepção original, as interferências que o Possi preferiu fazer introduzindo os "irmãos mafiosos" do The Blues Brothers, eram para ser interpretadas pelo próprio personagem principal, aparecendo em enquadramento 3X4, numa alusão ao Max Headroom, um andróide protagonista da série da TV britânica Channel4, intitulada "20 Minutos Para o Futuro", de 1987-1988.

Apesar de eu ter pedido a pesquisa de casting baseada na referência da Grace Jones, o Possi resolveu me apresentar também algumas opções masculinas dentro do mesmo conceito. Quando me apresentou o teste de VT do Sebastian não tive dúvidas, concordando com o Possi absolutamente: ali estava nosso protagonista.

Os valores intrínsecos do Sebastian, como aparência andróica, exímio bailarino, excelente performance cênica, criatividade, simpatia, carisma, além de acrescentar substancialmente à nossa criação, nos fez rever alguns pontos do que já havíamos concebido, nos levando à recriação de alguns aspectos dos roteiros e até mesmo da carga de valor atribuída à performance do personagem.

O formato musical da narrativa, por exemplo, com todo o recado sendo passado diretamente da boca do personagem central, cantando e dançando ao vivo para uma platéia e não numa trilha sonora em BG, só foi possível e só foi decupado dessa maneira, após a escolha do Sebastian para interpretar.

Deixando de falar do show e passando a falar do objetivo comercial, o Sebastian foi criado para representar o papel do ícone promocional da C&A. Aquele que, a cada aparição na mídia, deveria simbolizar que as lojas C&A estavam em períodos promocionais, oferecendo o que batizamos de "Ofertas Selecionadas". Um período para você comprar o melhor da moda de vestuário e pagar o menor preço do mercado, entre seus similares. Eram os momentos "AbuseUse C&A", para você abusar da economia (num momento de dinheiro curto) e usar o melhor da moda.

Foi um escândalo! Lançamos a campanha com um filme de 2 minutos no horário nobre da televisão, num domingo, e nas principais salas de cinema, em todos as cidades que tinham lojas C&A. Haviam filas, na segunda-feira, à porta das lojas, esperando sua abertura. Os consumidores perguntavam se o Sebastian estava ou estaria presente em algum momento. Queriam conhecê-lo, queriam autógrafos, os filhos, os netos, os irmãos, os avós, queriam abraçar e ver de perto aquele andróide com olhar terno e esperto, que irradiava uma luz própria, alva, contrastando com sua pele negra.

A imprensa nos lotava de telefonemas e pedido de entrevistas. Os amigos e familiares telefonavam dos lugares mais distantes, parabenizando, encantados. Os fornecedores também telefonavam, oferendo-se para integrar com seus ingredientes aquele banquete. E eu chorava e chorava e chorava, movido pela emoção que ainda me emociona, de saborear o fruto de uma semeadura que faço com amor, com responsabilidade, que se confunde com minha vida pessoal, por escolha própria.

Perguntas e respostas - 02.




Marcela: …vi também seu canal no You Tube e o vídeo de lançamento do Sebastian. Adorei! Aqui você desconstrói uma parte do que escrevi na monografia a partir dos poucos materiais que estão disponíveis na Internet – e, pelo visto, não muito confiáveis! Realmente dizem que o comercial foi baseado na cena do The Blues Brothers, em que Cab Calloway anima uma platéia. E que Jose Possi Neto foi escolhido o diretor e na época dirigia o “Emoções Baratas”, de cujo elenco surgiu o Sebastian. Vamos ver se entendi... posso dizer então que o comercial foi baseado no “Emoções Baratas” e tem elementos do The Blues Brothers? É meio que a inversão do texto, mas faz muita diferença de sentido, deslocando o foco maior no filme.

Resposta: Vou criar o post "Porque foi criado o Sebastian" para explicar detalhadamente um processo que levou 4 anos e extrapola as simples hipóteses que a imprensa divulgou e as declarações dadas pelos que vislumbraram a oportunidade de pegar carona na história. Neste parágrafo responderei o núcleo da questão:
Os filmes de lançamento da campanha "AbuseUse C&A" e não "o filme" não foram baseados em The Blues Brothers tampouco no Emoções Baratas do Possi. Eu criei a estrutura da campanha de maneira que pudéssemos produzir tudo de uma só vez, como se fosse uma série de TV para ser exibida em capítulos. Cada capítulo com o foco na data promocional do varejo, como dia-das-mães, dia-dos-namorados, dia-dos-pais, etc, com a promessa de que "cada vez que você ouvir AbuseUse, tem ofertas selecionadas na C&A". Elementos estéticos e estilo de narrativa cinematográfica, aí sim, foram aplicados, já na fase de roteirização e não na de conceituarão, baseados nas obras já citadas, somadas outras referências como Grace Jones, Max Headrom e outros ícones de modernidade da época. Mas, apenas para desenhar a estética dos filmes. É porisso que eu tanto contestei os jornalistas mal informados e os oportunistas caronistas, por suas declarações simplórias. Eu sou publicitário, não cineasta. Meu cliente me contrata para criar campanha publicitária, comercial, não obra de arte ou entretenimento.
Também é simplório afirmar que o Possi foi chamado apenas por seu "Emoções Baratas". Como expliquei em post anterior, eu tinha um convívio profissional com o Possi, fruto de atividade paralela no ramo de produção de espetáculos, que originou uma parceria na criação e concepção dos filmes. Dos filmes, roteiros, decupagem, não da campanha, do conceito comercial. O feeling de que o Possi agregaria qualidade, novidade e estética aos filmes, culminou com a indicação do Sebastian. É porisso que eu sou reticente ao afirmar que eu criei o Sebastian. Eu criei um ícone comercial. O Sebastian, em si, já veio criado, com o carisma e talento dele. O Possi o destacou dentre as inúmeras opções e talhou sua performance, criando assim o personagem. Eu prefiro dizer que eu criei o ícone, o Possi o personagem.
Meu conselho, Marcela: não se atenha a detalhes dos filmes e sim da campanha, do conceito da mesma. Você está escrevendo uma tese de propaganda e marketing e não de cinema.

Marcela: …tenho a opinião de que de alguma forma o Sebastian não se enquadra mais nos “anseios” da empresa. E também não concordo. Acho válida a proposta de agregar valores do mundo da moda ao contratar modelos, estilistas, etc … Mas quem disse que o Sebastian não é fashion?! Ele poderia coexistir com as modelos, em comerciais separados, sei lá, mas não sumir! É uma pena... Vários artistas já estrelaram campanhas, mas era do Sebastian que as pessoas gostavam e lembravam. E, como todo mundo sabe e você mencionou, o endosso de celebridades tem seus prós, mas também seus contras, já que hoje endossam uma marca hoje e amanhã estarão endossando outra, muitas vezes se envolvem em escândalos e “queimam o filme da empresa” e por aí vai, né? Um garoto-propaganda fixo é outra coisa. Se bobear acontece o que aconteceu com o Carlinhos da Bombril, que fez tanta falta e foi tão solicitado pelo público, que acabou voltando! Enfim, é só a opinião de uma simples estudante e consumidora...

Resposta: Vou abordar este assunto por aqui, porque diz respeito à atualidade e ao período pós-lançamento da campanha, portanto, não se enquadra ao tópico criado especialmente para tratar da criação do personagem. Primeiramente vamos lembrar que a opinião das empresas é formada a partir da opinião de seus dirigentes e, ao longo desses 21 anos, desde a criação do personagem, os dirigentes mudaram.
O retorno de Carlinhos Moreno só ocorreu por isenção pessoal dos dirigentes da Bombril e veio acompanhada do retorno do Olivetto à frente da conta publicitária do anunciante. Vamos lembrar que a mudança na direção executiva da C&A culminou no encerramento da Avanti, a house-agency que deteve a conta durante 24 anos, construiu a imagem e a história de sucesso da C&A na América Latina.
Marcela, você pegar uma celebridade pronta, criada a partir de um poderoso complexo de mídia, é infinitamente mais fácil e requer muito menos talento do que fazer o que eu fiz com o Sebastian e o Olivetto com o Carlinhos Moreno. Infelizmente, a geração que antecede a sua e muitos da sua, caracterizam-se por profissionais mal-preparados, equivocados, de visão limitada, acostumados ao fácil, ao cômodo, ao estilo pasteurizado e enlatado que é amplamente oferecido pelos meios de comunicação na atualidade. A falta de preparo profissional somada à incapacidade intelectual resulta em insegurança e auto-conhecimento de sua mesquinhez, gerando um sentimento auto-depreciativo que se defende, se protege, adotando a soberba como muleta.

Marcela: Não entendi muito bem quando disse que no momento em que cogitaram a Gisele você ainda estava na “geladeira”. Como assim? Não era mais da Avanti e não estava atuando nem como free-lancer para a C&A, mas sabia o que acontecia nos bastidores? É isso?

Resposta: Como expliquei no post anterior, devido à mentalidade paternalista da empresa, àquela época, ex-funcionários não eram aceitos como colaboradores ou fornecedores. A Gisele e o que ela viria a significar para a imagem da marca começou a ser cogitada no final da década de 90 e veio a concretizar-se no ano 2001. A partir do ano 2000 a "geladeira" começou a "descongelar" e minha amizade com o pessoal da Avanti e colaboradores contribuiu muito para o "degelo" e para minha permanência, sim, "nos bastidores".
Quando fui consultado, inicialmente, me postei contra, contudo, ao longo das pesquisas que foram sendo realizadas, comecei a mudar de opinião, especialmente porque notamos que poderíamos integrar Gisele e Sebastian, harmoniosamente, sem causar confusão no entendimento público da proposta. O Ralph é profundo conhecedor e interpretador da parte teórica, especialmente no segmento de varejo de confecção e conduziu todas as pesquisas no sentido de alavancar a imagem da C&A ao patamar alcançado com o apoio da imagem da Gisele, que era muito diferente do objetivo pelo qual foi criado o AbuseUse e o Sebastian 10 anos antes. Gisele foi a ponte para a imagem que a C&A quer ter hoje. Hoje, a C&A não está mais preocupada em vender a roupa mais barata do mercado. Hoje, o conceito que eles sempre adotaram, o "good value for money" se traduz em valor agregado e não em economia. Hoje, eles podem adotar esse conceito, pois, têm uma marca construída com bom-gosto e responsabilidade. Um patrimônio. Com lojas e produtos que condizem com esse conceito. E aí reside o "X" da questão: para você integralizar uma imagem como a da Gisele ao seu patrimônio, você tem que se preparar para promover essa mudança em suas lojas e em seus produtos. Foi isso que me deixou reticente, à época, e que o Ralph veio a garantir que seria a transformação maior que a empresa sofreria nos 10 anos seguintes.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem merece.

"Quem merece" é um espaço de opinião neste blog. "Quem merece" pode, a cada caso, ser pergunta, exclamação, crítica, ou indicar quem fez por merecer. Quem merece!

O primeiro post dessa tag eu dedico ao meu mestre em Promoção e Merchandising, Silvio Renato Freire. Silvio está, sem dúvida, na categoria de quem fez por merecer.

Silvio foi meu segundo empregador, o que me alçou a Diretor de Arte quando eu tinha apenas 18 anos incompletos e quase 4 anos de profissão como layoutman.

Mais do que meu empregador, Silvio sempre demonstrou ser um incentivador, um amigo, um professor cuja didática extrapola a teoria monótona, dogmática e predadora. Seu método, na minha opinião, é tão bem sucedido, pois, alia sua inteligência e experiência ao seu carisma, que, cada vez mais, percebo ser fundamental para o amplo desempenho profissional em todos setores e, é claro, em nossos relacionamentos pessoais.

Silvio não é o único, mas é, sem dúvida, o pioneiro no domínio da teoria, técnica e prática do marketing promocional no Brasil, em seu sentido mais amplo. O que eu quero dizer é que, é claro que 45 anos depois de Silvio ter começado sua carreira profissional especializada em promoção e merchandising, outros profissionais foram formados e se destacaram, mas, vieram depois dele e, muitos, aprenderam com ele. Assim como muitos nomes talentosos surgiram após David Ogilvy. Mas, primeiro, houve David Ogilvy e a história passa a ser contada a partir daí.

Pois bem, minha homenagem, aqui, ao mestre e também o interesse de comunicar que Silvio lançou há poucas semanas, após longa incubação e ainda sem estar como ele quer, conforme ele me confiou, seu blog: http://www.silviofreire.com.br/ . Vá conferir. Se você acha que é mais um canal de lero-lero do meio publicitário, notará o quanto se engana. Silvio está pondo online, uma autêntica biblioteca, teórica e prática, talvez uma biografia profissional de quem mais entende de promoção e merchandising neste país.

Ao meu mestre, com carinho, meu muito obrigado por tudo que me ensinou e tem me ensinado.

Silvio Freire é quem merece.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Topshop abrirá loja no Brasil.

O bilionário britânico Philip Green, 58 anos, é conhecido na Inglaterra por seu faro apurado para bons negócios. Ele começou a carreira empresarial com pouco mais de 20 anos e um empréstimo de 20 mil libras (cerca de R$ 52 mil), que usou para importar jeans do Oriente e revender na Inglaterra.

Aos 27 anos, já capitalizado, comprou todo o estoque de dez grifes que tinham ido à falência por praticar preços muito baixos, mandou para uma lavanderia para se livrar do pó e colocou as roupas lavadas à venda. Foi um sucesso. Tornou-se presidente de uma fabricante de roupas populares, tornou-se investidor profissional e construiu uma fortuna avaliada em 3,8 bilhões de libras (US$ 5,5 bilhões).

Em 2002, Green deu sua grande tacada ao comprar o grupo Arcadia, gigante de varejo do Reino Unido. Agora, seu faro aponta para o Brasil. “Se você quer criar uma marca global, tem que alcançar novos mercados”, disse Green à agência Bloomberg. Estreará por aqui, com a Topshop.


Topshop (Divulgação)

Sucesso entre o público feminino e rival de redes como a espanhola Zara e a sueca H&M, a Topshop tem 400 lojas espalhadas pelo mundo e é especializada no chamado fast fashion. Green pretende replicar esse modelo de negócios por aqui.
“Nos últimos cinco anos, a cadeia varejista brasileira ficou mais próxima dos movimentos da moda internacional”, diz Altamiro Carvalho, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). A Topshop brigará com todos.

Fonte: Isto É Dinheiro

Campanha de Dia das Crianças da C&A, com o mundo de faz de conta e a Angélica.

A promoção não é nada sedutora nem inédita, mas, o filme é espetacular! Confira: http://www.youtube.com/watch?hl=en&v=9Ifg3NpGiJ4&gl=US

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Perguntas e respostas - 01.

Marcela: Entrei em contato com você para esclarecer algumas coisas e não correr o risco de cometer erros conceituais grosseiros e supervalorizar ou desmerecer alguém. Nem todas as fontes citam seu nome, por exemplo, o que é uma injustiça. Cheguei até você, pois uma professora da faculdade, que me ajudou a elaborar o pré-projeto da monografia, fez uma pesquisa em 2002 sobre negros na publicidade brasileira, inclusive entrevistado o Woody Gebara. Ela me enviou um material que tinha e a entrevista na íntegra. Nesse material (extraído de revistas e da Internet) havia um texto seu da seção ‘Painel do Leitor’ de uma revista (Ilustrada), em que você desmente uma série de informações publicadas, afirmando que o fato de o Sebastian ser negro não foi um pedido do cliente (C&A); que a C&A não foi a primeira marca a colocar no ar negros em campanhas publicitárias; que o filme de estréia do Sebastian não foi o primeiro da C&A a apresentar negros, outros já o faziam, representando a diversidade étnica do Brasil; e que vocês não escolheram um negro para dizer que eram, nas suas palavras, “legais, bonzinhos, politicamente corretos, não-racistas ou qualquer rótulo dessa natureza”. Achei muito legal a sua atitude de se posicionar a respeito e descobri que você era um dos criadores do Sebastian. Então, joguei ‘Waldir Costa’ no Google para me informar, até que cheguei ao seu outro blog.


Resposta: Pois é, Marcela, eu sempre me preocupei somente em promover os meus clientes e não a mim. Sempre fui dos bastidores e não me preocupei se caráters menos dignos estavam levando as glórias às minhas custas.
A matéria que você citou foi publicada no jornal Folha de São Paulo, em seu caderno "Folha Ilustrada" e era uma primazia de "desinformação". Como eu tenho gastrite e não posso engolir porcaria, tive que botar pra fora e exigi retratação.
O que importa, de fato, é que os documentos comprovam a verdade. Eu tenho inúmeras matérias de veículos impressos que estampam eu, Ralph e Cimino, até mesmo na capa. O Meio&Mensagem, sem dúvida o maior veículo especializado na nossa área, fez uma matéria, a principal daquela edição, entrevistando eu e o Ralph. O Prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo, foi concedido à mim e ao Possi, pela criação do AbuseUse e do Sebastian e não a mais ninguém e isso está gravado na história do Prêmio. E eu tenho o documento "mor": minha carteira profissional.

Marcela: Na sua opinião, resumidamente, o que significou o Sebastian para a C&A? O que fez com que ele obtivesse tanto sucesso? Como foi a repercussão na época? Você tem dados numéricos de aumento nas vendas?

Resposta: A criação de um personagem símbolo de momentos promocionais era uma missão dada, já há muito, pelo Van Der Zee, a mim e ao Ralph. No festival de Cannes, em 1989, vimos um filme do whisky JB que nos deu a idéia. Seria um personagem fashion, que apresentaria as ofertas e conceitos promocionais cantando e dançando. Essa história plantada de que foi criado com base no personagem interpretado por Cab Calloway no filme The Blues Brothers é pura balela. As gags utilizadas no filme foram sugeridas pelo Zé Possi, com base no The Blues Brothers, assim como a música que serviria de tema base para a criação da nossa música. O Cab Calloway já era bem idoso e criar um personagem baseado nele só pode passar na cabeça de quem não tinha a menor noção dos policies da C&A. Isso é interpretação daqueles que só viram o vulto, pela janela, atrás da cortina, sem saber exatamente o que acontecia no interior. Eu planejei toda a estrutura da campanha no espetáculo "Emoções Baratas", que o Possi estava montando e a Bia Aydar estava produzindo. Só eu, o Possi e a Bia já tinham visto os ensaios e sabiam do que se tratava. Tanto que o Sebastian era um dos bailarinos que estrearia o espetáculo.

Eu disse ao Ralph e ao Cimino: "Não adianta a gente só criar o personagem. Precisamos mais do que isso, para não ficar brega. Precisamos criar um sinônimo, só nosso, de período de ofertas. E assim foi criado o tema "AbuseUse C&A. Ofertas selecionadas". A primeira frase que o Sebas canta no filme de lançamento é: "Atençao, pra você eu vou contar, sempre que você ouvir AbuseUse, tem ofertas selecionadas na C&A". Veja no meu canal no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=yVrh6yt9EdA

O Sebastian significou isso para a C&A. O início da era de consolidação da imagem de varejo de moda que não é brega e se compromete a praticar o conceito "good value for money". Um personagem que, pelo seu talento e carisma, conquistou a simpatia de famílias inteiras e a C&A vende roupas para a família toda e não somente para os fãs da Beyonce.

A repercussão foi estupenda, desde o início e ainda continua sendo. Outro dia tomava um café com o Sebas e um sem número de pessoas vieram pedir autógrafos, tirar fotos, perguntando se era verdade que ele não faria mais C&A e que torciam para ele voltar. Sebas é uma figura, uma simpatia e as pessoas não têm receio de se aproximar dele e serem recusadas, como acontece quando se aproximam dos grandes astros.

Eu não lembro de números. Faz muito tempo e eu sou péssimo com números. Hehehe...

Marcela: Muitos textos afirmam que o Sebastian rompeu preconceitos e foi o primeiro garoto-propaganda negro na publicidade brasileira, o que eu mesma questionei. Essas afirmações categóricas são muito perigosas, né? (Na hora me lembrei do Grande Otelo, das Óticas do Povo, por exemplo.) E seu texto na revista também desmente isso. Para descrevê-lo sem errar, posso afirmar que o Sebastian foi um dos primeiros e poucos negros a permanecer tanto tempo como garoto-propaganda de uma marca? Ou você acha que devo evitar esse tipo de afirmação?

Resposta: Não sei se foi o primeiro negro, acho que não. O fato é: o Sebastian foi o ícone da C&A por 20 anos. No Brasil, acho que só o Carlinhos Moreno para a BomBril permaneceu por muito tempo e mesmo assim interrupto. O Sebastian ficou por 20 anos ininterruptos.

Marcela: Este ano o Sebastião Fonseca anunciou o fim do seu contrato com a C&A, após 20 anos. O que você achou disso? Acredita que ele não mais se enquadrava à proposta de “glamourização” da C&A a partir da agregação de atributos do mundo fashion, que se iniciou a partir da campanha com a Gisele Bündchen e continua com as outras modelos? (Essa é uma pergunta que eu gostaria muito de fazer a alguém que atualmente trabalhe na área de Marketing da C&A. Eu gostaria de tentar, embora não tenha certeza de que vá conseguir, pois sei que a empresa tem uma política de sigilo bem rígida. Você acha que vale a pena eu tentar?)

Resposta: Olha, costuma-se dizer que tentar não dói. Se você se preparar para ouvir balela e souber filtrar e analisar o que vai ouvir...

Marcela: Falando em Gisele Bündchen... Como contou, após sair da Avanti você continuou trabalhando com a C&A, como free-lancer. Você chegou a participar de alguma forma da campanha de 25 anos? Se sim, poderia me contar um pouco como foi? Tendo participado ou não, o que achou da campanha? Considera que foi mais um marco?

Resposta: Quando o nome Gisele começou a ser cogitado eu ainda estava na "geladeira". Eu nunca fui favorável, não pela Gisele, que é uma excelente profissional, mas é o que já expliquei: o Sebastian é único. Um nome da moda passa como a moda, você tem que renovar sempre. E aí esse ícone faz publicidade para outras marcas. Qual a identidade que ele tem com a sua marca? Na época, se você estivesse na Rua do Ouvidor, aí no Rio, em frente à loja C&A e perguntasse para 10 passantes se conheciam a Gisele e o Sebastian, certamente 10 responderiam que conheciam o Sebastian e apenas 1 saberia que a Gisele é uma modelo, ponto, nada mais que isso.

Tanto que não tiveram coragem de aposentar o Sebas já naquela época. E olha que tentaram viu!
Aí vem uma mente brilhante (isso é ironia, tá) e soluciona: vamos por os dois juntos nos anúncios, Sebas e Gisele. Queriam fazer o mesmo com o Ricky Martin, que se recusou, aí o Sebas ficou fazendo só as campanhas de telefone celular, na fase do Ricky.

Mas, sim, foi marcante. A C&A faz ser marcante. É um caminhão de dinheiro investido em mídia e produção.

sábado, 11 de setembro de 2010

Primavera-Verão 2010 na Avenida já mostra crescimento em vendas.

A campanha Primavera-Verão 2010, que criei para as Lojas Avenida ( http://www.youtube.com/watch?v=gZh-8_xqXks ) já apresenta resultado de crescimento nas vendas.

Rodrigo Caseli me informou hoje: "Fechamos a primeira dezena ontem, com 27% de crescimento sobre 2009 e poderá melhorar na próxima semana. E na última dezena acredito que vamos arrebentar, em função da campanha de Cameba".

Ele merece!

"Case C&A". Um "case" para o mercado, uma história de vida e aprendizado para mim e meus parceiros.

Este tópico foi criado a partir da abordagem da estudante de Publicidade da UFRJ, Marcela Marçal Dias, e vem de encontro ao livro que estou escrevendo com um parceiro que ainda não autorizou a divulgação de seu nome, provisóriamente intitulado "VW. Como construímos uma marca.".

O que tenho a dizer, primeiramente, Marcela, é que as oportunidades aparecem, como agora, e o nosso sucesso depende de sabermos identificar e otimizar oportunidades.
Você verá, ao longo de nossa conversa, que eu e esse misterioso parceiro, lidamos com isso para construir, sem dúvida, um dos maiores "cases" de construção de marca no Brasil.

Quero começar esclarecendo que, em campanhas de grande porte, como as da C&A, existem centenas de profissionais envolvidos e há uma minoria, se comparada aos colaboradores, que está intimamente ligada ao cliente, na gestão de seus interesses. Eu estive entre essa minoritária minoria por mais de duas décadas.

Explico:
Em 1984, eu estava com 24 anos e era Diretor de Criação, junto com Mário D'Andrea (que hoje é Presidente da JWT no Brasil) da conta do Shopping Center Ibirapuera, na Dois Pontos Publicidade. O Edgar "Woody" Gebara era um dos redatores de nosso time.
A loja da C&A no Shopping Ibirapuera foi a primeira loja em shopping que a C&A abriu no Brasil (o nome do Banco IBI, que foi criado pela holding da C&A, é a sigla da loja que deu a "arrancada" da C&A aqui) e a C&A era a âncora principal do shopping. Veja em http://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_Brenninkmeijer

As campanhas do Shopping Ibirapuera, à época, abriram os olhos do Vice-Presidente de Marketing da C&A, Theodorus Van der Zee, para o trabalho que eu e o Mário D'Andrea vínhamos realizando e daí surgiu o convite para ir para a C&A e formar o time de criativos da house-agency que estava sendo criada, a Avanti Propaganda.

Ocorre que a minha surpresa aconteceu quando, na entrevista definitiva de contratação, com o Van der Zee e o John Brenninkmeijer (que era o Presidente da C&A no Brasil àquela época), me disseram que o departamento de RH havia identificado que eu tinha potencial para ser mais que um Diretor de Criação da Avanti e que a proposta era de eu ser treinado para ser um executivo de marketing de varejo e contribuir para que a C&A liderasse, em pouco tempo, o ranking de varejo de moda de grande porte na América Latina. Para isso, eu teria de começar montando um time de colaboradores de primeira linha na Avanti.
Passei a primeira quinzena estagiando na loja da C&A no Shopping Center Norte (a mais nova loja à época) e os trinta dias seguidos percorrendo as lojas da capital de São Paulo e Santos.

Quando voltei para a Avanti, fui apresentado para o rescém nomeado Diretor de Publicidade da C&A e CEO da Avanti: Ralph Benny Choate. Ralph estava completando sete anos na empresa, com uma carreira meteórica que iniciou como trainee e chegou a team-leader de produtos, até ser promovido ao cargo já citado.

A empatia com o Ralph foi imediata e aí começou uma duradoura parceria profissional.

A missão era árdua! Eu tinha apenas 24 anos, o Ralph uns 8 anos mais velho e uma responsabilidade que nossos ombros só suportaram porque somos muito ambiciosos e temos o que chamamos de "o vírus do varejo nas veias".

A C&A nos propiciou, de imediato, um extenso programa de treinamento nos mais importantes centros varejistas europeus.

Após o primeiro ano de espetaculares resultados de imagem e posicionamento alcançados com a comunicação da marca no Brasil, já fomos convocados para compartilhar nossa experiência com a filial no Japão, que tinha o mesmo tempo de existência da C&A no Brasil e não decolava.

E lá fomos nós, eu e Ralph para Tóquio. Em Tóquio conhecemos o irmão do John Brenninkmeijer, que era o Presidente da C&A no Japão àquela época. Ele nos brifou e nos conduziu à Dentsu-Young&Rubican, que tinha a conta da C&A no Japão. Trabalhamos com a equipe da Dentsu durante um mês e mais do que a contribuição que dei, perdurou o que aprendi com os Japoneses e sua filosofia. Uma experiência inesquecível!

Em nosso retorno ao Brasil somamos o terceiro mosqueteiro que, efetivamente, nos fez construir a marca C&A no Brasil: Valdir Cimino.

Valdir Cimino é, hoje, Presidente-Fundador da Associação Viva e Deixe Viver e vive com a felicidade de levar felicidade para crianças que não tiveram a oportunidade que a nós foi concedida.

E o Ralph, você sabe, está reconstruindo a imagem da Riachuelo.

Em 1990, estimulados pelo sucesso do lançamento do AbuseUse C&A e do Sebastian, seduzidos por tentadoras propostas do mercado, eu e o Cimino resolvemos sair da Avanti. O Cimino foi para a MTV e eu para a house-agency da Sharp.

Em 1991 o Cimino foi para a Rede Globo e eu montei a Wham Waldir Costa Art Directors com um contrato de dez anos para criar, junto com o Cimino e sua equipe, a identidade da Superintendência Comercial da Rede Globo de Televisão (SUCOM), que hoje se intitula Direção Geral de Comercialização.

Em minha Carteira Profissional consta que deixei de ser funcionário da C&A dia 6 de agosto de 1990. Nessa oportunidade disse ao Van Der Zee que estava deixando a empresa, muito grato por tudo que investiram em minha formação profissional, mas, precisava encarar novos desafios, que incluiam abrir minha própria empresa de criação e comunicação e que ter a C&A como cliente me honraria muito. Van Der Zee me acenou com a recíproca verdadeira, contudo, na prática, não foi bem assim.

A C&A é uma empresa originalmente familiar e lotada de princípios éticos/administrativos e um dos mandamentos paternalistas impostos era: "ex-funcionário que se estabelece não pode vir a ser fornecedor". Os clássicos conceitos administrativos impostos pelos Brenninkmeijer perduraram até a aposentadoria do Van Der Zee e a Presidência da holding, Cofra, ser assumida pelo Luiz Antonio de Moraes Carvalho e isso se deu no final da década de 90.

Durante este período eu estive extremamente ocupado com meu contrato com a Rede Globo e nem liguei para o fato de o apalavrado não ter sido honrado.

Um ou dois anos depois de eu ter saído o Ralph me confiou um job para a criação da campanha do novo Cartão de Crédito C&A, pois achava que não teria oposição e quase foi crucificado.

Logo que o Luiz Antonio assumiu a Presidência da Cofra - isso se deu junto com a criação do Banco IBI - o relacionamento se refez, pois, não havia mais impedimentos impostos. Contudo, eu não tinha mais tempo para estar presente full-time, pois tinha meus afazeres na Wham.

No início de 2005, após terem aprovado o plano estratégico de cinco anos, o Ralph me acenou com uma tentadora proposta para eu deixar a gestão da Wham, durante aquele ano, a cargo de outro gestor e fazer a gestão da criação na Avanti, como colaborador terceirizado, não como funcionário, contudo, eu teria que estar presente lá full-time. Eu aceitei.

O mais marcante, nessa fase, foi a criação da campanha de primavera-verão, que marcou o encerramento do contrato com o Ricky Martin. Durante oito meses de contrato, não havia usado uma música dele num comercial. Estava óbvio para mim: vamos encerrar a participação dele em alto estilo, ele interpretando "Viva La Vida Loca". E o filme foi produzido todo no estilo "vida loca".

Bem, sua primeira pergunta foi: "Quem era sua dupla de criação na Avanti?".
Resposta: Era um trio, eu, Ralph e Cimino. O que nós concluímos foi que a empresa nos dava a oportunidade de trabalhar com os melhores e que devíamos aproveitar isso. Decidimos não ter ninguém fixo e chamar, para cada job, quem mais atendesse àquela necessidade. A conceituação das campanhas nós três fazíamos, era essa a nossa missão, e chamávamos quem agregaria. Detalhe: sempre tivemos uma verba espetacular.

Na criação dos filmes, percebemos que chamar o Diretor do filme para participar da criação era um avanço e nesse mood pude criar com Ricardo Van Steen, Ucho Carvalho, Vinícius Mainardi, Luiz Trípoli, Walter Salles Júnior, José Possi Neto, entre tantos outros não menos importantes.

Na criação das peças gráficas, onde a estética da fotografia de moda impera, tive nomes como J.R.Duran, Trípoli, Bob Wolfenson e acho que uma centena de nomes nacionais e internacionais, que já tinham, ou passaram a ter status de primeiro time.

E na criação de promoções e eventos, de entretenimento, esportes e mídia, onde o Cimino exercia com maestria, tivemos nomes também de grandeza absoluta, a destacar-se àquela que viria a ser minha primeira esposa: Bia Aydar.

Para resumir: Cimino e Bia trouxeram, pela primeira vez ao Brasil, sob o patrocínio da C&A, Madonna. E contribuiram para que se consolidasse mega-eventos como Hollywood Rock, Carlton Dance e Rock'n'Rio, em suas primeiras edições.

Você já perguntou também acerca da participação do Alemão e do Woody nesse processo. Eles somam-se aos nomes já citados acima.

O Woody eu já contei que trabalhava comigo na Dois Pontos, como redator e foi então que o conheci. Quando criei o AbuseUse C&A, chamei o Woody, pois, ele é compositor e eu precisava somar o talento dele como publicitário e compositor para escrever as músicas que o Sebastian interpretaria nos filmes. Ele provou sua competência e assim as portas da Avanti se abriram para ele, que também integrou o time de free-lancers até o desligamento do Ralph e a Avanti deixar de existir.

O Alemão também integrou a equipe durante uns 20 anos, como free-lancer.

Ufa! Acho que isso encerra a primeira fase. Agora, vamos lá Marcela, envie as próximas perguntas, você está me ajudando a contar mais do que uma história profissional: uma história de vida.